(p.2) Da FAMÍLIA PLATAFORMA PARA A POESIA, suas TRILHAS LITERÁRIAS e dos CULTORES DA ARTE POÉTICA os e-mails recebidos na partilha da partida: Alisson da Hora, André Cervinsks, Astier Basílio, Bruno Candéas, Carlos Maia, Cida Pedrosa, Conceição Pazzola, Delasnieve Daspet, Homero Fonseca, Jorge Filó, José Inácio, José Inácio, José Nêumanne Pinto, Lucila Nogueira, Luiz A.S.Monjeló, Martha Galrão, Maria Cristina de Miranda Henriques, Martha Galrão, Norma Godoy, Odimariles, Sílvia Câmara Martinez, Tânia França, Teresa Oliveira, Verônica Aroucha, Urariano Mota, Walter Ramos. Muitos foram mais gesto que palavras e mais silêncio na despedida. A DEUS ERICKSON LUNA! Cláudia Cordeiro! 

 

PARA ERICKSON LUNA EM VERSO & PROSA  p.1, p.2, p.3(webcards)

LUIZ A.S. MONJELÓ


Lama das Chuvas

Luiz A.S.Monjeló  

Homenagem post mortem ao poeta Erickson Luna



Uma estrela a mais 
aparece agora
mais brilhante 
porque é nova
e ilumina com 
seu brilho
as águas 
e a lama das chuvas,
de Santo Amaro das Salinas.

Um poeta não morre,
acende e ilumina
os caminhos 
que um dia percorreu.
Seu calor permanece
e aquece os corações
a cada poesia escrita
que lida recorda, 
as carícias que devolveu
ao lugar em que viveu.

Assim será lembrado
Erickson Luna,
lama das chuvas
de Santo Amaro.

WALTER RAMOS 

Escrevi este em abril do ano passado. Ocasião do aniversário de Luna. Saudações literárias.

A Um Vadio Demiurgo de Recife


Embargada voz. O pífio canto na cidade. Nos flancos, arte.
A passos lentos, libações. Vãs vernissages.

Do turvo rio, imagem da 'terceira margem'.
De negritude - em meio a sons, a turbas. 

Vagas Solidões das ruas. Largas miragens.
Estreitas visões. Na plumagem, cromo. 

Predileção pelo fogo. Zinco, chumbo, estanho.
(constituição em Áries). Vôo sem aterrissagem.

Na queda, o inevitável. Tesouros ausentes. Poucas canções.

Na comuna, a ilusão de crer em mentiras.
E não ter - a vida inteira - feito guerrilhas.

(Canhotismo: a maldição das mãos vazias).

Delírios de Velhos amigos.

Muy amigos, de mont-blanc, na quadrilha vermelha.
Que passam blasé aos sábados - para o centro de compras -
com as famílias. Biônicas, cínicas e obesas.

 

TERESA OLIVEIRA

 

Momentos de silencio, silencio derramado em poesia.....
Erickson Luna,
receba bem e com carinho do sertao de onde estiver.

Para Luna 

Pensei que aquela gameleira sempre estaria ali..
Frondosa, robusta, nada era maior que ela.
Um dia voltei ao sertão. 
É lá onde se encontram tais caprichos.
Ela já não estava ali. 
Morreu.
A gameleira morreu!
Era tão imortal... 
Inimaginável era a sua morte.
Mas foi do sertão que o poeta concluiu que “viver é perigoso”.


teresa oliveira

ÁLISSON DA HORA


As ruas do Recife, principalmente as da Boa Vista estão menos poéticas a partir dessa triste notícia... O desaparecimento de Luna me deixou deveras triste, posto que, quando das nossas já longínquas reuniões (eu, Bruno, Alan, Germano e Bernardo) na Rua do Hospício, sempre contávamos com a sua presença, ainda que ligeira, intervindo com perspicácia e inteligência... Os poetas verdadeiros não ficam encerrados nas torres de marfim, sempre estão passeando com as suas asas mistas de anjos ou de demônios familiares dando dicas de vida, de poesia e de irreverência...

Ave Luna!
a.h.

ANDRÉ CERVINSKIS

Erickson Luna, poeta que vive uma situação de extrema marginalidade social (não sabemos se por opção ou falta dela), apresenta uma poesia elaboradíssima, com imagens de uma beleza singular. Num poema intitulado CANTO DE AMOR E LAMA, o poeta usa metáforas para identificar sua condição social e sua opção estética : vosso scotch/ pode sujar por dentro/ cachaça não/ vosso perfume/ pode me sujar por fora/ suor nunca/ porque sou suor/ a cachaça e a lma/ das chuvas que caem/ em Santo amaro das Salinas (Marginal 1, p. 23). Tal reflexão continua em outro poema, intitulado MARIPOSA: pra eu poder/ e só/ andar nas ruas/ fez-se em volta uma cidade/ Para se dar/ mais colorido á noite,/ pôs-se acima os luminosos/ e pra que eu/ me sinta bem enfim/ nesta cidade/ há-se em mim um cidadão/ Portanto livre/ como o que é em noite/ e que enche as ruas/ perseguindo luzes/ acordado/ ainda que em sonhos/ íntegro/ ainda que meio-homem/ plenamente meio/ mariposa (Marginal 1, p. 24). Para fechar sua participação na primeira antologia, Luna retrata a prisão social aos quais os grandes executivos são submetidos, sem  deixar de expressar sua indignação: EPITÁFIO PARA UM BUROCRATA: faz da gravata/ a forca/ a fina veste/ é tua mortalha/ e teu birô/ o teu esquife/ do gabinete ao túmulo/ vade retro burocrata! (idem, p. 28)

SILVIA CÂMARA MARTINEZ 

O poeta voltou para a sua casa.Quem sabe lá ele é mais compreendido?
Verônica, querida, tocante o seu A Deus. Tô paradinha aqui...
beijo grande, amigos
Silvia

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ERICKSON LUNA - REFERÊNCIAS E LINK

EPITÁFIO PARA UM
BUROCRATA

Faz da gravata
a forca
a fina veste
é tua mortalha
e teu birô
o teu esquife

Do gabinete ao túmulo
vade retro burocrata

In: Pernambuco, Terra da Poesia. Uma painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI. São Paulo: Escrituras. 2005/2006, p. 451-454, 545.

Erickson Luna: poeta e compositor de música popular, nasceu no Recife em 1958. Morou por muito tempo no Bairro de Santo Amaro das Salinas, comunidade de formação operária, palco de resistência e luta contra a opressão. Seus poemas são disputados pelos fanzines, circulando pela cidade.

Lançou o livro: Do Moço e do Bêbado que foi recebido e festejado por todos, sendo um dos eventos culturais mais concorridos do ano de 2004.
No dia 22 de dezembro de 2006, durante a festa de comemoração do Natal dos Poetas Pernambucanos, lançou o livreto "Claros Desígnios" em parceria com o poeta Francisco Espinhara.  Fonte: INTERPOÉTICA, onde você encontra mais poemas e informações sobre o poeta. Acesse! Clique neste ícone:

Olinda, Pernambuco, Brasil, abril de 2007

Editora e webdesigner: Cláudia Cordeiro