Caso não visualize adequadamente esta página, clique neste ícone

 

"Creio com crença que não se aprende a ser poeta. Não conheço poeta que antes não o tenha sido. Porque é coisa do espírito, este é a sua fonte. Aprende-se a fazer versos, não a ser poeta. Porque o poeta, com o seu espírito, é anterior ao seu verso." Geraldino Brasil

 

Creusa Maurício e Geraldino Brasil

 
 

Foto dos arquivos da família: Creusa Maurício e Geraldino Brasil. Entrevista realizada em 11 de fevereiro de 1974, às vésperas do lançamento do livro Cidade do Não; inserida na edição em lançamento deste 9 de junho de 2010:

Antologia Poética. Geraldino Brasil.

 
 


CM – Sei que Geraldino Brasil é seu pseudônimo. Por quê?


GB – Não se trata de modéstia. É que, ainda quase menino, publicava uns sonetos de amor na Gazeta de Alagoas, de Maceió. Pois bem, foi quando um homônimo meu, em nota pelo mesmo Jornal, informou aos conhecidos que era um homem sério, comerciante, fiel à esposa e portanto não o autor dos suspirosos versos... Então para evitar problemas domésticos desse Senhor perante sua Excelentíssima e para não abalar seu crédito nos Bancos, adotei o pseudônimo...E gosto dele e crescentemente sou mais ele do que meu nome.


CM – Que acha da poesia no mundo atual? Ela é capaz de influenciá-lo?
 

GB – A poesia sempre esteve bem, porque sempre houve poetas. E agora entre os melhores do mundo, há muitos brasileiros. Se distinguisse a atual da anterior, diria que a atual está melhor do que a anterior ou anteriores, porque a humanidade mais carente dele e ela capaz de a todos acolher. Se é capaz de influenciá-lo? Claro que sim. Porque é a maneira mais alta possível de entender as coisas e as pessoas, por ela cada um saberá mais e melhor do mundo e da vida. A aproximação plena dos homens será alcançada pela poesia.


CM – O homem nasce poeta ou se torna?


GB – Creio com crença que não se aprende a ser poeta. Não conheço poeta que antes não o tenha sido. Porque é coisa do espírito, este é a sua fonte. Aprende-se a fazer versos, não a ser poeta. Porque o poeta, com o seu espírito, é anterior ao seu verso.


CM – Toda sua força poética nasce de suas reflexões?


GB – Nasce do amoroso olhar para as pessoas e coisas, o mundo e sua vida. Minha poesia não é a da minha vida mas a da vida do mundo, do meu tempo e dos homens e mulheres do meu tempo. Pelos meus poemas saberão muito de cada um, inclusive de mim.


CM – Algum livro novo?


GB – Brevemente sairá Cidade do Não. Terei a enorme alegria de vê-lo com capa de Mariani e apresentado por Alberto da Cunha Melo, o poeta de Oração pelo Poema, este – Oração pelo Poema – um dos melhores poemas brasileiros, onde claramente se Vê que a fonte da poesia é o espírito.


CM – O último poema?


GB – De anteontem.:

Na Ante-sala do Ar

Eles não se conheciam e se olharam
sobraçando presentes natalinos
e possivelmente não se verão jamais.

Não foi amor, para o mundo não
é amor o instante de um amoroso olhar
sem tempo e sem história.

Nos seus ofícios, com ternura, quando
em quando se lembrarão
do que não houve para os outros.

E continuarão sem volta ao lugar.
Não é lugar o instante de um encontro
de penas; na antessala do ar.

 
 

 

 
 

Creusa Maurício – 11/02/1974

Esta entrevista faz parte do Antologia Poética. Geraldino Brasil, em lançamento.

 
 

Mais informações na nossa Plataforma para a Poesia. Clique Aqui!

 
 

 

 
 

 

 
     
     
     

Editora e webdesigner: Cláudia Cordeiro