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CM – Sei que Geraldino Brasil é seu pseudônimo. Por quê?
GB – Não se trata de modéstia. É que, ainda quase
menino, publicava uns sonetos de amor na Gazeta de Alagoas, de
Maceió. Pois bem, foi quando um homônimo meu, em nota pelo mesmo
Jornal, informou aos conhecidos que era um homem sério,
comerciante, fiel à esposa e portanto não o autor dos suspirosos
versos... Então para evitar problemas domésticos desse Senhor
perante sua Excelentíssima e para não abalar seu crédito nos
Bancos, adotei o pseudônimo...E gosto dele e crescentemente sou
mais ele do que meu nome.
CM – Que acha da poesia no mundo atual? Ela é capaz de
influenciá-lo?
GB – A poesia sempre esteve bem, porque sempre houve poetas. E
agora entre os melhores do mundo, há muitos brasileiros. Se
distinguisse a atual da anterior, diria que a atual está melhor
do que a anterior ou anteriores, porque a humanidade mais
carente dele e ela capaz de a todos acolher. Se é capaz de
influenciá-lo? Claro que sim. Porque é a maneira mais alta
possível de entender as coisas e as pessoas, por ela cada um
saberá mais e melhor do mundo e da vida. A aproximação plena dos
homens será alcançada pela poesia.
CM – O homem nasce poeta ou se torna?
GB – Creio com crença que não se aprende a ser poeta. Não
conheço poeta que antes não o tenha sido. Porque é coisa do
espírito, este é a sua fonte. Aprende-se a fazer versos, não a
ser poeta. Porque o poeta, com o seu espírito, é anterior ao seu
verso.
CM – Toda sua força poética nasce de suas reflexões?
GB – Nasce do amoroso olhar para as pessoas e coisas, o mundo e
sua vida. Minha poesia não é a da minha vida mas a da vida do
mundo, do meu tempo e dos homens e mulheres do meu tempo. Pelos
meus poemas saberão muito de cada um, inclusive de mim.
CM – Algum livro novo?
GB – Brevemente sairá Cidade do Não . Terei a enorme alegria de
vê-lo com capa de Mariani e apresentado por Alberto da Cunha
Melo, o poeta de Oração pelo Poema, este – Oração pelo Poema
– um
dos melhores poemas brasileiros, onde claramente se Vê que a
fonte da poesia é o espírito.
CM – O último poema?
GB – De anteontem.:
Na Ante-sala do Ar
Eles não se conheciam e se olharam
sobraçando presentes natalinos
e possivelmente não se verão jamais.
Não foi amor, para o mundo não
é amor o instante de um amoroso olhar
sem tempo e sem história.
Nos seus ofícios, com ternura, quando
em quando se lembrarão
do que não houve para os outros.
E continuarão sem volta ao lugar.
Não é lugar o instante de um encontro
de penas; na antessala do ar. |