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ELES INCENDIARAM OS SUBÚRBIOS CINZENTOS DO JABOATÃO DOS GUARARAPES

COM O JORNAL "DIA VIRÁ", NO INÍCIO DA DÉCADA DE 60.

JOSÉ LUIZ MELO, POETA E FICCIONISTA, PRESENTEIA-NOS COM RARIDADES:

FOTOS E SONETOS DE ALBERTO DESSA ÉPOCA. A PRODUÇÃO QUE ELE SEMPRE SE NEGOU A DIVULGAR.

PUBLICAMOS, ENTÃO, LOGO A SEGUIR AO POEMA, NA ÍNTEGRA,

A DECLARAÇÃO (2004) DO NOSSO POETA MAIOR SOBRE ESSA PRODUÇÃO DE RARO VALOR HISTÓRICO.

2004: Declaração de Alberto da Cunha Melo sobre sua produção primeira de sonetos e outras formas literárias:



              Meu pai, Benedito Cunha Melo, era uma espécie de decano da cidade de Jaboatão, hoje a segunda cidade pernambucana em arrecadação, depois da capital. O adolescente neurótico, como sempre, quando sabe não poder superar o pai, procura ser diferente dele. Fiz, no início, uns raríssimos sonetos e trovas, as duas espécies de poemas em que o velho se especializou, mas, agradeço aos cupins do tempo os terem devorado para sempre, a não ser dois sonetos e uma trova, em sua homenagem, depois de sua morte. Como, já o disse, quem não pode ser maior deve procurar ser diferente. Antes de minha primeira fase, exaustivamente produzida em cinco quartetos em octossílabo, e pelos motivos que já expliquei, fiz vários poemas, alguns publicados em revistinhas mimeografadas, em versos sempre curtos, e procurando dar a cada um deles uma certa unidade formal, confissão inconsciente de um homem que depois se descobriu um construtivista atávico, um neo-clássico até a medula. Dessa primeira fase, cujo núcleo antológico se encontra no meu livro Poemas Anteriores, concebido editorialmente por Cláudia Cordeiro, minha mulher, e publicado pelas Edições Bagaço, com apoio da Prefeitura do recife, o teor classicista foi detectado muito tempo depois, quando apareceu na vida de minha poesia Bruno Tolentino: toda aquela poesia estava vazada em versos brancos, isto é, sem rima.

            As raras análises críticas que o livro mereceu não tocaram em outro indicador clássico: era uma forma fixa. Mas, eu mesmo nunca apregoei isso. O octossílabo dominou minha poesia, em duas fases, na primeira e terceira, talvez porque tinha a cadência prosaica da conversa, do desabafo não retórico, da confidência, enfim. É interessante lembrar que frei Caneca, herói pernambucano, chamava o octossílabo de "octonário, redondilho perfeito, lírico maior". Para Wolfgang Kayser, "ao tetrâmetro iâmbico corresponde o octossílabo nas línguas românicas". Como aquele metro é composto de quatro pés, cada um composto de um sílaba breve e outra longa, característica do iambo, temos em nossas línguas neolatinas (4x2=8), portanto, o correspondente perfeito do octossílabo. Estava há pouco estudando outros metros e outras estruturas, mas a vontade se foi e, com ela, o tempo e a poesia que poderia ser feita e que não mais será.


CORDEIRO, Cláudia (org.). Uma estranha beleza: entrevista com o poeta Alberto da Cunha Melo. In: Cronos: Revista de Pós-graduação em Ciências Sociais daUFRN, v.5/6, n.1/2. NATAL: EDUFRN, 2000, p.317-33, jan/dez, 2004/2005.

Entrevista originalmente concedida ao site Trilhas Literárias, editado por Cláudia Cordeiro. Entrevistadores: Alcir Pécora, Alfredo Bosi, Anderson Braga Horta, Astier Basílio, Deonísio da Silva, Domingos Alexandre, Eduardo Martins, Ermelinda Ferreira, Evandro Affonso Ferreira, Isabel Moliterno, Ivan Junqueira, Ivo Barroso, José Nêumanne Pinto, Mário Hélio, Martim Vasques da Cunha.

Acesse a entrevista completa: http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/trilhasentrealbmar04.htm

 

Cláudia Cordeiro

 

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