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Partilhando A NOITE DA LONGA APRENDIZAGEM. NOTAS À MARGEM DO TRABALHO POÉTICO, DE ALBERTO DA CUNHA MELO Por Cláudia Cordeiro
Alberto nunca fez concessões à prosa em sua poesia. Um "horaciano" Os exemplares manuscritos, como toda poesia de Alberto o é, abrem-se com notas reiteradas, com registro em anos diversos no início dos volumes, colocando-me como uma espécie de guardiã, pois vários temores o assaltavam tanto pelas informações no livro contidas quanto, especialmente, pela não familiaridade com sua caligrafia de quem por acaso viesse a digitá-lo. | |||
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"TUDO REALIZADO E PRONTO/ E PÚBLICO E DEFINITIVO,/ TAL UM DIÁRIO OFICIAL/ GRIFADO PARA A ETERNIDADE" Alberto da Cunha Melo. In
Círculo Cósmico.
Recife: UFPE, separata da revista Estudos
Universitários, 1966. | |||
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Ermelinda Ferreira, com quem convivi
intensamente
A primeira pessoa estranha a mim que digitalizou algumas páginas do
livro foi a cineasta Luci Alcântara a quem abri as portas, as gavetas e
estantes de minha casa para o seu filme Geração 65. Aquela coisa
toda. Como sempre rezei e rezo pela cartilha de que não se deve esconder a luz debaixo do alqueire, aqui vão duas das "Notas à margem do trabalho poético". Partilho com vocês, internautas e amigos da poesia, A NOITE DA LONGA APRENDIZAGEM. A Grande Teia sempre foi para mim o refúgio mais público e gratificante de divulgação da obra de Alberto da Cunha Melo, do meu amor por ele e pela Arte Poética. | |||
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Recife, 7/11/83 Vindo a pé, da rua do Imperador para o edifício onde moro, na Av. Manoel Borba, todo um poema elaborei do princípio, meio ao fim. E pensei registrá-lo no papel quando chegasse em casa. No meio do caminho, algo, talvez mais importante do que esse poema só mentalizado, o dissolveu no ar. Isso tem acontecido frequentemente: vivo escrevendo, nos últimos meses, muitos poemas no ar. Como desculpa amarela de um poeta mediano, com um nível apenas suportável de leitura, eu poderia dizer que esses poemas, dissolvidos no ar, talvez fossem minhas únicas obras primas. Como sabem, não estou falando em poemas que a gente escreve, numa mesa, e perde depois entre papéis jogados no lixo. Estou falando naqueles poemas vivos, que a gente escreve na mente, andando, andando, pelas ruas do Recife,por falta de dinheiro e de método e que a realidade, mais forte do que eles, com um simples sopro, os dissolve no ar. Ah, poemas que não conseguiram chegar em casa, como os vivi, como os amo assim, só com sua lembrança, uma palavra; às vezes, nem isso: só um sentimento indefinido. A todos vocês, poemas não escritos, eu os saúdo no dia de hoje, um dia bom, muito bom para mim: dez por cento de agonia a menos do que o dia de ontem.
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Rio Branco, 7/02/81
(Páginas originais digitalizadas em 750px - Anexo III
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(Páginas originais digitalizadas em 750px | Anexos: I
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Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Plataforma para a Poesia. Sítio Virtual Pernambucano da Poesia Contemporânea em Língua Portuguesa Leia Poesia
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